<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Orelha de Van Gogh</title>
	<atom:link href="http://brunollima.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://brunollima.wordpress.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 20 Jan 2011 13:50:25 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='brunollima.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://0.gravatar.com/blavatar/0b4cf3b94753f428dfed1e6b6f5e85e7?s=96&#038;d=http%3A%2F%2Fs2.wp.com%2Fi%2Fbuttonw-com.png</url>
		<title>Orelha de Van Gogh</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://brunollima.wordpress.com/osd.xml" title="Orelha de Van Gogh" />
	<atom:link rel='hub' href='http://brunollima.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Gabriela</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2010/03/29/gabriela/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2010/03/29/gabriela/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 15:32:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/2010/03/29/gabriela/</guid>
		<description><![CDATA[“É preciso passar por muitas decepções para merecer de novo o primeiro amor”. Ao ler essa frase não consegui impedir que, subtamente, uma lembrança atravessasse minha consciência: O dia em que ficamos sentados na escada no Setor Comercial durante horas, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Lembro que em algum momento pensei sobre o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=87&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“É preciso passar por muitas decepções para merecer de novo o primeiro amor”.</p>
<p>Ao ler essa frase não consegui impedir que, subtamente, uma lembrança atravessasse minha consciência: O dia em que ficamos sentados na escada no Setor Comercial durante horas, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo.</p>
<p>Lembro que em algum momento pensei sobre o que eu estaria fazendo ali. Matando serviço descaradamente em frente ao prédio que trabalhava, tentando conquistar uma garota que dizia repetidamente e cheia de convicção &#8220;eu não quero ficar com niguém agora&#8221;.</p>
<p>Incrivelmente aquela tarde me revelou mais coisas sobre mim, do que sobre ela. Acho que até então não tinha percebido, mas aquelas horas viriam a ser determinantes no rumo que minha vida tomaria.</p>
<p>Conversamos sobre a vida e nossas responsabilidades. Sobre o trabalho e estudos. Recebemos a benção de um profeta de rua, que via o futuro nas distorções mentais provocadas pelo álcool. E ao fim do dia, fomos surpreendidos por um bichano de olhos coloridos que se enrroscava nos nossos corpos enquanto nos envolviamos em um nível mais elevado de carinho e compreensão.</p>
<p>Durante quase uma ano essa história se repetiu. Fogos de artifício, shows, exposições. Lembro de um dia em que perguntei à ela &#8220;e se as borboletas voassem como os beija-flores?&#8221;</p>
<p>Ela respondeu: &#8220;Seriam espécimes em extinção, por que seriam os seres mais lindos existentes no mundo&#8221;.</p>
<p>Percebi que ela era a pessoa que me completaria pelo resto da minha vida. Se uma pessoa consegue responder uma pergunta dessas com tanta facilidade e presteza, seria capaz de me deixar lúcido o bastante para descobrir que eu estava apaixonado. E assim foi.</p>
<p>Minha paixão é irreverente e foge aos padrões convencionais. Não me importo. Amor não é para os fracos e nem para os que tem medo de ser demasiadamente humanos. A cada momento que passa tenho mais certeza de que a vida é a maior inimiga que temos, e ao mesmo tempo não queremos derrota-la em um campo de batalha. Isso me faz concluir que meu conflito maior é comigo mesmo. Apesar de toda ternura e carinho, só consigo transparecer fragilidade e carência. Isso a irrita, e me irrito muito mais por ser tão alheio à declarações de amor acompanhadas por flores e bombons.</p>
<p>Mesmo depois de tantos erros e mágoas ainda consigo ver as coisas quando fecho os olhos. Ela andando de pés descalços pela nossa casa e ficando na ponta dos dedos de unhas vermelhas para apanhar algo em uma prateleira mais alta na cozinha. Uma criança de olhinhos puxados e maria chiquinha pulando no sofá enquanto assiste desenho animado, e outro mais sério e bochechudo, de óculos e cabelo cogumelo, sentado na mesa da sala desenhando um monstro verde que destrói a cidade.</p>
<p>Enquanto isso eu vou estar no quintal lendo meu jornal de chinelo e ciroulas. Com o cabelo grisalho e barba por fazer pensando &#8220;ainda bem que eu matei serviço aquele dia&#8221;.</p>
<p>Essa é minha história de amor. Talvez não seja romântica e provavelmente não vá virar livro ou um grande sucesso do cinema nacional. Mas pra variar, não me importo. O amor não é simples, e eu, com certeza também não.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=87&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2010/03/29/gabriela/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Sabatina</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2009/10/10/sabatina/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2009/10/10/sabatina/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 17:44:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/2009/10/10/sabatina/</guid>
		<description><![CDATA[A sala não era tão grande quanto se pode imaginar. No máximo 15 metros de comprimento por 10 de largura. Uma porta comum de madeira dava acesso a um corredor estreito de três metros de comprimento que terminava dentro da sala. Lá dentro, senhores de ternos bem alinhados e gravatas bem atadas aos pescoços esperavam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=75&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A sala não era tão grande quanto se pode imaginar. No máximo 15 metros de comprimento por 10 de largura. Uma porta comum de madeira dava acesso a um corredor estreito de três metros de comprimento que terminava dentro da sala. Lá dentro, senhores de ternos bem alinhados e gravatas bem atadas aos pescoços esperavam a entrada do sabatinado do dia. Também havia mulheres dentro da sala abafada e bem iluminada da ala de comissões do Senado Federal. A maioria delas eram jovens com os rostos bem maquiados e bolsas extravagantes, desfilando a tendência outono/inverno que acabara de ser lançada pela grifes famosas da cidade.<br />
Ainda não haviam chegado todos os 23 senadores que formavam a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas a sala já estava cheia de gente que aguardava ansiosa o julgamento do indicado para a vaga de ministro da Suprema Corte.<br />
O carpete bege, que forrava todo o chão, tinha algumas manchas de café e borrões desbotados de sol. A parede direita à entrada da sala era uma divisória de madeira envernizada, escura, com 25 quadros de membros do Senado pendurados alinhadamente. Em cima dos quadros letras douradas “Presidentes da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal”. A parede oposta aos quadros era de vidro com cortinas também beges, mas de tom mais claro que o carpete, e uma faixa amarela se estendiam horizontalmente por toda vidraça. As cortinas estavam fechadas, deixando toda iluminação do lugar pelas lâmpadas do teto de gesso branco.<span id="more-75"></span><br />
Uma das paredes, de extremidades menor da sala, era toda branca com textura simples, dessas que se encontra em bares, e com dois relógios. O primeiro de madeira com a data, 30 de setembro, e hora, 10h00min. O segundo relógio era analógico, com números digitais, parecido com esses que estão espalhados por toda Brasília. Esse iria marcar 30 minutos para que o sabatinado se apresentasse à Comissão. À frente da parede de textura, uma mesa de madeira com cinco cadeiras, a do meio maior que as demais. A mesa fica sobre uma plataforma mais alta, aproximadamente 30 cm, que o chão. Ali se sentariam o presidente da Comissão, Desmóstones Torres, o vice-presidente da Comissão, Wellington Salgado de Oliveira, o relator do processo de indicação à Suprema Corte, Francisco Dornelles, e o indicado à vaga de ministro da Suprema Corte.<br />
Passando a bancada principal, seis mesas de madeira, que tinham quase a largura do recinto, deixando pouco espaço entre as extremidades e as paredes de madeira e vidro, ocupavam todo o espaço central da sala com seis cadeiras cada. Os lugares das mesas estavam reservados aos senadores que formavam a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e por isso tinham o direito de votar se o Advogado-Geral da União, José Antônio Dias Toffoli, merecia honrar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Se Toffoli fosse aprovado pela Comissão teria que enfrentar, ainda, a aprovação do plenário do Senado, onde todos os senadores têm poder de voto.<br />
Passando as mesas dos senadores uma faixa azul escrito ‘senado federal’ cercava uma pequena área reservada aos jornalistas da casa. Atrás da área estava o espaço reservado a outros jornalistas e seguintes. Entre a área cercada e os demais, 12 câmeras enfileiradas com as mais variadas marcas de empresas de comunicação se posicionavam para pegar os melhores ângulos da aprovação de Toffoli.<br />
Cerca de 200 pessoas se espremiam na sala que certamente não havia sido planejada para agrupar tanta gente. Jornalistas, amigos de Toffoli, curiosos, servidores do Senado, todos estavam apreensivos para saber se o indicado por Lula à vaga de Menezes Direito iria receber o aval dos senadores.<br />
O julgamento de Tofolli era muito mais que uma simples sabatina para um cargo da mais alta corte nacional. Tratava-se de uma guerra direta entre governo e oposição, entre a imprensa e o advogado que intercedeu pelas causas petistas durante mais de 10 anos.<br />
Toffoli estava sendo questionado pela sua ligação com o Partido dos Trabalhadores, uma vez que, se fosse aprovado ao Supremo, iria se deparar com processos que atingiam a alta cúpula do partido, como o caso do Mensalão. Além da ligação com o PT, José Antonio Dias Toffoli sofria acusações de não possuir notório saber jurídico, requisito importante para ser Juiz do STF, e ter pouca idade, 41 anos.<br />
Durante quase oito horas de perguntas e acusações, o homem de terno bem alinhado que vendeu pizzas na adolescência para pagar a faculdade, respondeu a todas as perguntas que lhe foram direcionadas. As mãos nervosas se movimentavam no ar enquanto explicava seu posicionamento, e opinião, sobre assuntos como, união civil entre homossexuais, cotas para negros em universidades federais e aborto. Hora ou outra as mesmas mão nervosas ajeitava os óculos no rosto suado e vermelho.<br />
Nas cadeiras que estavam no centro da sala rostos conhecidos como o senhor senador de bigodes bem aparados, Aloísio Mercadante, e seu opositor de cabelos bem penteados Arthur Virgílio. O senhor gordo de fala embolada que usava terno bege e calças azuis, Heráclito Fortes, que chegou depois e ficou pouco tempo, e Pedro Simon que arrancou algumas gargalhadas dos presentes por falar que “não há problema nenhuma em Lula indicar um amigo ao STF. O problema é que Lula tem muitos amigos”.<br />
Quando o tucano, e líder do partido no Senado, Arthur Virgílio disparou elogios ao indicado de Lula anunciando publicamente que iria votar na aprovação de Toffoli, o Advogado-Geral da União quase chorou, mas conteve as lágrimas e com voz mole agradeceu a Virgílio.<br />
Na Comissão, dos 23 votos que decidiram o destino de José Antonio Dias Toffoli, apenas 3 foram contra a sua ida para o Superior Tribunal Federal. E no plenário 58 votos a favor, 9 contra e 3 abstenções, o aprovaram para o cargo de ministro da Suprema Corte.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/75/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=75&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2009/10/10/sabatina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Cidade maravilhosa</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2009/10/04/cidade-maravilhosa/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2009/10/04/cidade-maravilhosa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 15:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/2009/10/04/cidade-maravilhosa/</guid>
		<description><![CDATA[Eu vi a garota de Ipanema, prostituta em frente ao cinema. De mini-saia, fumando bêbada procurando um estrangeiro rico. Lá vai ela atrás de um pico Descendo torta pela alameda Eu vi o garoto do rio 13 anos, armado, vadio drogado, fugindo da escola. Negro de recente forro. De pés descalços subindo o morro. No [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=73&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vi a garota de Ipanema,<br />
prostituta em frente ao cinema.<br />
De mini-saia, fumando bêbada<br />
procurando um estrangeiro rico.<br />
Lá vai ela atrás de um pico<br />
Descendo torta pela alameda</p>
<p>Eu vi o garoto do rio<br />
13 anos, armado, vadio<br />
drogado, fugindo da escola.<br />
Negro de recente forro.<br />
De pés descalços subindo o morro.<br />
No sinal, pedindo esmola.</p>
<p>Eu vi o Cristo Redentor<br />
Se rendendo ao terror<br />
Não de braços abertos,<br />
mas de mãos para o alto.<br />
Como quem sofre um assalto<br />
Sentindo a morte mais perto</p>
<p>Eu vi o Rio de Janeiro<br />
Praia, arrastão, desespero<br />
Cidade maravilhosa do cartão postal<br />
Corcovado, Pão-de-Açucar, vistas tão belas<br />
Comando vermelho, fome, chacina na favela<br />
Rio de Janeiro, orgulho nacional.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/73/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=73&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2009/10/04/cidade-maravilhosa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>No ar</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2009/09/14/no-ar/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2009/09/14/no-ar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 18:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/2009/09/14/no-ar/</guid>
		<description><![CDATA[Se mantenha no ar e continue respirando. Você vai se sentir melhor quando as cores descolarem e as pedras decolarem. É só deixar ser levada. Você não vai mais sentir dor. Suas mãos estão dormentes e agora seus sentimentos também. Sua alma anestesiada. Quando você voltar iremos mergulhar bem fundo. E você vai conseguir segurar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=66&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se mantenha no ar<br />
e continue respirando.<br />
Você vai se sentir melhor<br />
quando as cores descolarem<br />
e as pedras decolarem.<br />
É só deixar ser levada.<br />
Você não vai mais sentir dor.</p>
<p>Suas mãos estão dormentes<br />
e agora seus sentimentos também.<br />
Sua alma anestesiada.<br />
Quando você voltar<br />
iremos mergulhar bem fundo.<br />
E você vai conseguir segurar minha sombra.</p>
<p>Mantenha os olhos abertos.<br />
Você parece estar feliz agora.<br />
E nem lembra mais por que me procurou<br />
e nem o que me disse.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=66&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2009/09/14/no-ar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Marmitas</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2009/03/20/marmitas/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2009/03/20/marmitas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 14:18:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/2009/03/20/marmitas/</guid>
		<description><![CDATA[Acordei ainda com sono, levantei e liguei o som. Eu sempre gostava de ouvir The doors pela manhã por que me ajudava a acreditar que ainda estava sonhando. Como numa viajem louca de Jim Morrison. Abri o armário e só tinha algumas caixas de leite desnatado e um pacote de biscoitos de água e sal. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=49&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei ainda com sono, levantei e liguei o som. Eu sempre gostava de ouvir The doors pela manhã por que me ajudava a acreditar que ainda estava sonhando. Como numa viajem louca de Jim Morrison.<br />
Abri o armário e só tinha algumas caixas de leite desnatado e um pacote de biscoitos de água e sal. “Deus, por favor não piore meu dia” rezei baixo enquanto comia um biscoito. Tomei banho, me arrumei e peguei o mesmo ônibus de sempre no mesmo horário de sempre.<br />
É incrível como algumas pessoas não se importam com a realidade em que vivem. Como por exemplo o motorista do 335.1. Negro, forte, alto e sempre exibindo um grande e contagioso sorriso branco no rosto. Retribui o sorriso, passei pela roleta e atravessei o corredor.<br />
Eu sempre sentava lá atrás no último banco, com os outros leitores, lá o mundo era diferente. Um senhor de terno cinza e gravata cor-de-rosa com um bigode grisalho bem aparado lia o jornal impresso mais vendido da cidade. Me desejou “bom dia”. Respondi com um aceno de cabeça. Não confio em gente de terno. Do outro lado, sentada na janela, estava uma senhora de meia idade com um longo cabelo negro peso em coque. Usava uma camisa verde, abotoada até o pescoço, e uma saia longa que se estendia até os calcanhares. Com os dedos finos e enrugados folheava as páginas da bíblia sagrada. Sentei no meio, de frente pro corredor, dali eu podia ver se alguém verdadeiramente interessante entrasse no ônibus. Tirei o “velho Buck” da mochila e comecei a ler Notas de um velho safado.<br />
A certeza do engarrafamento que eu ia enfrentar era tão certa quanto a conversa que minha supervisora iria ter comigo pelo meu quinto atraso consecutivo naquela semana. Mas eu não me importava, quanto mais tempo eu ficasse preso no congestionamento, mais páginas eu ia ler. O tempo que eu passava dentro dos transportes públicos de Brasília era todo o tempo que eu tinha para me dedicar a leitura. Passar 40 minutos dentro de um coletivo parado no meio de um engarrafamento é para a maioria das pessoas uma perda de tempo, pra mim significava 40 minutos do bom e velho Henry Chinaski enchendo a cara pelos bares de Los Angeles.<span id="more-49"></span><br />
Não demorou muito e lá estava eu, dentro de um ônibus velho e enferrujado parado num engarrafamento de 3km bem no coração da cidade.<br />
Eu olhava para todos aqueles coitados preocupados com os ponteiros de seus relógios e com a crise econômica mundial. Eram todos tão parecidos e nem mesmo percebiam isso. Discutindo a Seleção Brasileira de Futebol, conferindo bilhetes de loteria ou lendo o resumo da novelas em jornais medíocres. Carregavam em seu semblantes um sorriso cansado e um olhar triste, tão frio quanto as marmitas que traziam em suas bolsas. Mas o que mais os aproximavam eram a esperança de um dia mudarem de vida. Realmente acreditavam que as coisas poderiam ser diferentes, que uma dia ou outro de um jeito ou de outro, o dia deles chegariam. Era bonito e triste ao mesmo tempo.<br />
Rezei por todos ali dentro, menos por mim. Eu sabia que a realidade não se quebra tão facilmente. Disse amém e continuei lendo.<br />
36 minutos e 26 páginas depois eu descia em frente ao grande e ornamentado shopping da W3 Sul. Estava todo enfeitado com as luzes e símbolos de natal. Lá dentro algumas criancinhas sentavam no colo do Papai Noel e lhe pediam bicicletas e bonecos.<br />
Atravessei as duas avenidas e desci para o setor comercial. Na primeira esquina que dobrei esbarrei com dois menores cheirando cola. Eles não se importaram comigo. Estavam visitando um paraíso não muito distante que cabia dentro de uma garrafinha de água.<br />
Rezei por eles. A gente termina ficando mais cristão quando começa a perceber que o mundo engole a todos sem precisar de um copo com água.<br />
Atravessei a quadra por entre os camelôs e mendigos que começavam a se tornar rostos conhecidos com minha passagem diária por ali. Olhei pra cima e o céu parecia ter sido feito de concreto, cinza, anunciando que os tempos de sol não voltariam tão cedo.<br />
No meio fio da rua em frente ao prédio em que eu trabalhava, estava um hippie com os longos cabelos ensebados penteados para trás e barbas também longas. Ele vendia pulseiras artesanais. Todas eram iguais e todas eram feitas do mesmo jeito. Os meios de produção em massa já haviam atingido até os que nadavam contra o capitalismo. Comprei uma.<br />
Aquilo era a cidade que eu amava: ônibus, hippies, mendigos, paraísos proibidos, marmitas frias, asfalto e fumaça. O melhor que um metrópole pode oferecer a alcance das mãos.<br />
Entrei no prédio e passei pelo porteiro sem cumprimentá-lo. Entrei no elevador e um cara gordo e de terno me olhou de cima a baixo e depois virou a cara com desdém. Desci no primeiro andar e fui para a copa beber um café. Tudo ali era horrível: o café, os homens de terno, as aulas de ginástica laboral. Não que a aulas de laboral fossem ruins, é que eu adorava minha vida sedentária.<br />
De qualquer forma eu não podia dar o fora daquele trampo, ainda tinha que terminar a faculdade e me tornar um grande escritor de contos.<br />
O trabalho se resumia à sentar na frente de um computador, com um fone de ouvidos nas orelhas, e esperar algum cliente do banco ligar pedindo ajuda para efetuar transações no site do grande e poderoso “Banco dos Sacanas”. Por isso eu odiava tanto trabalhar ali, eu tinha que mexer com as duas coisas que eu mais detestava em todo o mundo: pessoas e computadores.<br />
Loguei na máquina 02 como sempre e esperei algum cliente cheio de razão ligar. E como esperado, o telefone tocou.<br />
- Jack Daniel&#8217;s bom dia em que posso ajudar? &#8211; Aquela seria a primeira ligação das 72 que eu iria atender naquele dia.</p>
<p>- Olha aqui amigo, essa deve ser a sétima vez que eu ligo ai e ninguém me ajuda nessa merda de suporte técnico.<br />
Os cliente não sabiam, mas nós, os atendentes, e eles, compartilhávamos da mesma raiva contra o banco.<br />
- Qual é o problema que o senhor está tendo?</p>
<p>- Eu tenho que fazer uma transferência até meio-dia e minha senha de conta foi bloqueada.<br />
Cruzei as pernas e abri meu livro.</p>
<p>- Senhor, para desbloqueio de senhas de conta o senhor deve se dirigir até sua agência de relacionamentos.</p>
<p>- Meu amigo, eu cabei de voltar da agência e eles me mandaram ligar pra vocês.</p>
<p>Só tinha uma coisa que eu odiava mais do que um cliente raivoso como um cão: era o maldito gerente que o tinham soltado da coleira.</p>
<p>- Senhor, realmente aqui no suporte técnico não há nada que agente possa fazer pelo senhor.</p>
<p>- Olha aqui seu filho da puta, eu tô começando a achar que vocês estão me fazendo de palhaço. Eu pago por essa porra de serviço sabia? E aí vem vocês ficarem me mandando pra agência e a agência me mandando ligar de volta pra vocês. Quer saber de uma coisa? Eu vou processar vocês e&#8230;</p>
<p>- Senhor, o telefone da ouvidoria é o 0800 65 65 65.<br />
coloquei no mute e comecei a rir. Nesse emprego as vezes se consegue sorrir, e esse sorriso as vezes é quase sincero.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/49/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=49&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2009/03/20/marmitas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Estar só é tão triste quanto estar sóbrio</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/estar-so-e-tao-triste-quanto-estar-sobrio/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/estar-so-e-tao-triste-quanto-estar-sobrio/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 20:39:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/?p=43</guid>
		<description><![CDATA[- Acabou a vodca! E lá estava eu novamente em mais uma festa louca de Rimbaud. Música alta, gente dançando, gente bebendo e gente transando. A maioria das festas de Rimbaud eram assim, as vezes em algumas dessas festas alguém quebrava uma garrafa na cabeça de outro, ou uma garota louca semi-nua subia em cima [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=43&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- Acabou a vodca!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>E lá estava eu novamente em mais uma festa louca de Rimbaud. Música alta, gente dançando, gente bebendo e gente transando. A maioria das festas de Rimbaud eram assim, as vezes em algumas dessas festas alguém quebrava uma garrafa na cabeça de outro, ou uma garota louca semi-nua subia em cima de uma mesa <em>pra</em> dar um show. Eu adorava as festas dele.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Na sala alguns dançavam <em>num</em> ritmo frenético e compassado, quase em transe, sobre o efeito de música eletrônica. Estava escuro e a única lâmpada acesa irradiava luz-negra, que piscavam como <em>flashs </em>de um filme de terror. Na cozinha um grupo de jovens atores ,que faziam teatro com Rimbaud, discutiam a eleição de um democrata negro à presidência dos EUA. O resto dos convidados que estavam lá ou estavam trancados no quarto, fazendo coisas melhores do que dançar ou discutir política, ou então estavam bebendo muito, o que era meu caso.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Eu estava sentado lá fora, em uma mesa, no jardim. A mesa era retangular e estava coberta com uma toalha de veludo verde. Eu calçava minhas botas ,que usava desde o ensino médio, um <em>blue jeans</em> rasgado e uma camisa dos Rolling Stones, tão velha quanto o próprio Mick Jagger.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Algumas cartas de baralho à minha frente estava Rimbaud, com aqueles loucos cabelos em cachos curtos e sempre exibindo um sorriso que era capaz de fazer uma beata ir bater na porta do inferno. Rimbaud fazia teatro na CIA de Teatro Atthus Bulcão e estava dando aquela festa para comemorar o final de uma temporada de uma peça, baseada em um conto de Machado de Assis. Eu odiava peças, atores e teatro, mas eu tinha que admitir, aqueles esquisitos sabiam se divertir.<span id="more-43"></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Eu conheci Rimbaud alguns anos antes na escola de ensino médio. Ele estudava com meu primo e terminamos virando amigos. Quando conheci ele ainda não estava metido nessa de teatro, se não, provavelmente, não teríamos sequer ter trocado uma palavra.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Sentado do lado direito de Rimbaud estava meu primo. Com os olhos cerrados e os lábios sempre selados, ele dedilhava um <em>blues</em><span> </span>improvisado <em>num</em> violão antigo ,que era do nosso avô. Meu primo quase nunca falava, sempre estava em silêncio como uma rocha. Parecia que nada nesse, ou em outro, mundo podia abalar seus pensamentos. Se a vida realmente tivesse algum sentido, ele com certeza o conhecia e usava isso à seu favor.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Do lado esquerdo de Rimbaud, sentado de frente para meu primo, estava Ringo. Alto, forte, sempre de chapéu preto deixando a sombra da aba esconder seus pequenos olhos castanhos-claros.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Ringo e eu éramos inimigos cordiais. Tínhamos um pelo outro uma espécie de antipatia contratual e amigável, que ficava bem explícita em nossas discussões ,que duravam horas ,e um dos dois sempre esperava um deslise do outro para se vangloriar. Nossa relação era perigosa e divertida.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- Acabou a vodca?! Que merda, então trás vinho. &#8211; esse foi um dos poucos momentos em que meu primo abriu a boca naquela noite.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Em volta da mesa estava um monte de gente esperando que agente começasse a conversar sobre algo qualquer. Todo maldito aspirante a intelectual boêmio queria andar com agente. Nós éramos os vagabundos mais beberrões da cidade dos sonhos e mesmo assim todo idiota metido a artista esperava ser convidado pra se sentar à mesa do “G4”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Nós compartilhávamos da mesma vontade de perverter ,e influenciar, todo e qualquer ser puro que conhecíamos. A maioria nos achava demasiados porra-loucas, mas nós éramos apenas jovens querendo nos divertir. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Foi então que ela veio lá de dentro da<span> </span>casa trazendo uma garrafa de tinto. Era linda, os cabelos louros ,que descia até a altura dos seios pequenos e charmosos. Vestia uma camisa regata e saia curta que me fez pensar “por que diabos eu estou jogando baralho com um monte de de bêbados”. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Eu conheci Sarah num sarau de poesia alternativa em um bar <em>underground</em><span> </span>da cidade. Eu tinha tomado um monte de vinho e era minha vez de recitar meus poemas, mas quando tentei me levantar<span> </span>estava tonto demais e me sentei de novo. Ela percebeu que eu não estava em condições de ler coisa alguma e veio se oferecer pra recitar meus poemas por mim. Como nenhum bêbado consegue dizer não pra uma garota, aceitei. Ela subiu no palco pequeno e recitou meus poemas melhor do que qualquer outra pessoa. Quando terminou veio me entregar os poemas e disse que tinha gostado muito do que eu tinha escrito. Peguei um guardanapo de papel que estava na mesa e tirei minha caneta, que sempre trazia, do bolso. Então escrevi:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Vamos viver de aparências</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">por que elas enganam.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Vamos fingir que nos amamos</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">já que não nos amam.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu não sei por que as rosas são tristes,</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">e eu não sei por que elas choram no jardim.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu só sei que anjos não sangram</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">por isso parei de tentar te ferir.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu vou plagiar</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">todas suas falsas</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">provas de amor</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu vou te amar</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">como numa valsa </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">que foi feita para a dor.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"><em><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Dobrei o guardanapo e entreguei pra ela. Ela sorriu e me beijou.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Sarah parecia um personagem elegante dos quadros de Modigliani, com aqueles grandes e vivos olhos azuis colados num rosto fino sobre um pescoço longo e fino.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Sarah deu a garrafa de vinho pro meu primo, sentou no meu colo e meteu a língua na minha boca. Passei um dos braços pela sua cintura afilada e colei seu corpo junto ao meu. A outra mão eu enfiei dentro da saia, bem no meio das pernas. Ela gemeu e disse “te adoro” no meu ouvido. Foi bonito.<span> </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Quando voltei ao mundo real percebi o sorriso cínico pintado na cara de Rimbaud e a inveja fritando a alma de Ringo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Ringo era um cara tão raso, que se podia ler seus pensamentos pelo modo que ele acendia o cigarro. Ele acendeu um cigarro e eu li seus pensamentos enquanto Sarah me puxava pelo braço pra dentro da casa.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- Ringo meu caro, livre-se de qualquer pensamento perverso que tenha sobre mim.- nosso alcoolismo era quase poético nessas horas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Ele soltou uma grande e desforme baforada de fumaça e respondeu:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- Vê se num fode Bruno!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Passamos pela sala nos agarrando, entre as danças malucas dos malucos que dançavam, e atravessamos o corredor. Abrimos do quarto de Rimbaud e ela me jogou na cama tirando minhas calças.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>-Você viu a cara do Ringo?</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>-Por que você não esquece esses doidões e se preocupa comigo agora heim?! &#8211; disse ela enquanto levantava a camisa e me mostrava seus belos seios pequeninos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- É claro querida.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Ela apagou as luzes e deitou em cima de mim.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- Eu te adoro meu bem. &#8211; e me beijou de novo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Acordei com o sol queimando minha cara. Virei as costas pra ele e o mandei pro inferno. Tateei a cama e não encontrei a Sarah. Ela tinha deixado um bilhete no travesseiro:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span><em>“Meu bem, não quis te acordar. Tive que ir embora por que vai chegar alguns familiares que moram em Londres e meus pais querem que eu esteja presente no almoço. Te ligo quando eles voltarem para o hotel. Beijos, te adoro.”</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><em><span> </span></em>Estar só é tão triste quanto estar sóbrio e eu estava sem minha garota e de ressaca.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Levantei meio tonto, vesti minhas calças e calcei minhas botas, mas não achei minha camisa com uma grande boca vermelha dando língua. Fui me apoiando na paredes do corredor até chegar no banheiro. Quando abri a porta vi uma cena totalmente deprimente. Rimbaud dormindo agarrado na privada com a cara dentro dela. Puxei a cabeça dele para trás, segurando ela pelos cabelos, e o deitei de bruços. “Tomara que ele sobreviva”, pensei enquanto mijava o resto da noite anterior.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Atravessei a sala desviando dos outros convidados que estavam espalhados pelo tapete. Abri a porta e lá estava o grande e belo sol do meio-dia me chamando para um dia maravilhoso. Mandei-o pro inferno novamente e fechei a porta. Atravessei o jardim por entre as flores e as latas de cerveja. Passei pelo portão, encostei-o, passei o ferrolho e fui-me embora. Enquanto voltava pra casa pensava sem parar: “onde diabos foi parar minha camisa dos Stones?”.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=43&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/estar-so-e-tao-triste-quanto-estar-sobrio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Área geriátrica da minha consciência política</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/area-geriatrica-da-minha-consciencia-politica/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/area-geriatrica-da-minha-consciencia-politica/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 20:38:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/?p=40</guid>
		<description><![CDATA[E então você tem que escolher, tudo depende de uma única decisão. E quando você toma a decisão errada você termina como eu: velho, sozinho em cima de uma cama de hospital público esperando pra ver quem vem primeiro: um coração novo ou a morte. O problema é saber que dentre as duas visitas, você [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=40&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E então você tem que escolher, tudo depende de uma única decisão. E quando você toma a decisão errada você termina como eu: velho, sozinho em cima de uma cama de hospital público esperando pra ver quem vem primeiro: um coração novo ou a morte. O problema é saber que dentre as duas visitas, você só tem certeza da vinda da segunda.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">É engraçado quando se é jovem, sem manchas na pele e com dentes na boca, e você pensa “que se dane. Se eu não conseguir mudar o mundo eu me livro dele”, e quando você fica velho e precisa de uma enfermeira pra te alimentar e de um coquetel de medicamentos pra manter seu coração batendo, você percebe que é exatamente o contrário. Se o mundo não consegue te mudar é ele quem se livra de você, se livra de você com um tapinha nas costas e um chute no traseiro.<span id="more-40"></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Foi esse tipo de romantismo juvenil que me fez lutar contra os militares em 1968. Ir para as ruas, organizar passeatas e viver em conflito com o governo, isso foi o que eu vivi na minha juventude. De alguma forma levar um soco na cara de um soldado ,que nunca tinha lido sequer um livro todo em toda sua vida, fazia sentido quando eu tinha dezenove anos de idade. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ser torturado, perder notícias de amigos, saber que sua namorada está sendo estuprada por algum general maldito num porão sujo, isso foi o que aconteceu em 1968 e não toda aquela <em>merda</em> que está nos livros de História da sétima série. Eles fazem tudo parecer muito bonito: jovens indo às ruas enfrentar soldados e protestar contra um governo autoritário. Mas uma revolução é muito mais feia do que o que está impresso nos livros. Revolução é gente morrendo, gente apanhando, mães desesperadas chorando o sumiço dos seus filhos, garotas sendo violentadas e você pendurado de cabeça para baixo completamente nu, enquanto um militar enfia um cabo de rodo no seu <em>rabo</em>. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">O que aconteceu naquele ano estava muito mais parecido com uma revolta do que com uma revolução.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">A maioria dos lideres estudantis de hoje não imaginam o que é uma revolução. Brigar por democracia, liberdade de expressão e direitos civis, não é a mesma coisa que ir passear no parque de diversões <em>num</em> domingo ensolarado.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu vivi tudo isso pra quê? Pra receber a visita do meu neto de 14 anos de idade, com o rosto de Che Guevara estampado em uma camisa que ele comprou ,em uma, das milhares de lojas que o Tio Sam mandou pra cá?. A Guerra do Vietnã fez milhares de vítimas e nós queimávamos a bandeira americana em praça pública. O movimento feminista lutou pelos direitos da mulheres, pela libertação sexual e lutou contra os antigos costumes que diminuíam o valor da mulher e hoje garotas de dezesseis anos de idade dançam músicas como “dá o cú é bom” ou “me chama de cachorra e me bota na coleira”. Mesmo com a falta de consciência política, nós sabíamos que algo estava errado e lutávamos para mudar a situação. Hoje a insatisfação dos jovens se limita à discussões em ônibus e mesas de bares.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Hoje eu consigo perceber que a democracia só é boa quando o povo não é burro.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu vi outro dia no jornal que um democrata finalmente ganhou as eleições do EUA. Sabe o que isso vai mudar? Absolutamente nada., por que os americanos vão continuar sendo americanos mesmo que o presidente seja negro ou azul, ou democrata e o dinheiro vai continuar sendo a grande voz que manda em todo o mundo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sem contar os caras metidos a revolucionários que falam alto e fazem todo mundo acreditar que uma revolução é uma coisa boa. Esses tipos de idiotas são os piores covardes que se pode imaginar. Eles são os primeiros a saírem correndo quando o tiroteio começa. Bando de sem-culhões.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Tanto faz você ter escolhido ser poeta ou guerrilheiro, quando se está na linha de frente ninguém quer saber o que você faz e tão pouco qual é seu nome. É como eu dizia, é tudo uma questão de escolha, gravata ou chinelos, sindicato ou república, constituição ou quadrinhos levar o lixo pra fora ou não. Só que depois que você escolhe se vai se esconder atrás do balcão quando o tiroteio começar ou se vai bancar o caubói valentão, não tem mais como voltar atrás. Você tem que continuar e ir até o fim pra ver se no final de tudo valeu a pena comprar a briga ou se teria sido melhor se trancar no quarto e cantar o hino nacional. Quer saber do mais? Tomara que a morte chegue antes do coração.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/40/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=40&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/area-geriatrica-da-minha-consciencia-politica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Ao melhor bar do mundo</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/ao-melhor-bar-do-mundo/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/ao-melhor-bar-do-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 20:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/?p=37</guid>
		<description><![CDATA[O lugar era incrível. Havia um sofá de canto ,que parecia confortável, diante de uma mesinha de centro coberta com uma bandeira do Nirvana. Duas poltronas se contrapunham à parede que estava o sofá, formando uma espécie de pequena sala de estar que parecia ,mesmo não sendo anunciado, como se correspondesse a uma área VIP [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=37&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>O lugar era incrível. Havia um sofá de canto ,que parecia confortável, diante de uma mesinha de centro coberta com uma bandeira do Nirvana. Duas poltronas se contrapunham à parede que estava o sofá, formando uma espécie de pequena sala de estar que parecia ,mesmo não sendo anunciado, como se correspondesse a uma área VIP de algum bar do centro da cidade. No telão que ficava de frente ao balcão, Cazuza cantava para todos os que estavam lá que “<em>a igreja é o banheiro de todos os bêbados</em>”, mas todos já sabiam disso<em>. </em>Do teto pendia uma globo prateado não muito grande, mas que conseguia dar alguma classe ao lugar e na parede que ficava a direita de quem entrava, estavam pendurados dois quadros com cores vibrantes e fortes.<em> </em>Os quadros eram pintados com formas geométricas e foi preciso duas doses de seleta com mel e três cervejas para que eu conseguisse descobrir que o pintor tinha escrito ,de forma abstrata respectivamente, “Paz” e “Amor” nos dois quadros. Pra falar a verdade eu li “Bar” e “Amor”, mas fui corrigido pela minha cunhada que, provavelmente era mais hábil leitora bêbada que eu.<span id="more-37"></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Aquele foi o lugar onde a garota de sorriso contagioso e loucos cabelo bagunçados pediu meu irmão em namoro e ele, claro, aceitou.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Sentamos em uma mesa bem no meio do bar. Meu irmão se levantou e foi buscar umas cervejas enquanto fiquei sentado com Debi na pequena mesa quadrada ,que ornamentada em mosaico, formava um símbolo <em>hippie</em> da década de 60. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Meu irmão voltou com as cervejas e um cara gordo de barbas longas e cabelos emaranhados, que calçava um par de <em>all star</em><span> </span>vermelhos já desbotados. O sujeito era extremamente carismático e receptivo, ele era o tipo de cara que você iria querer como vizinho ou dono da locadora onde você<span> </span>aluga filmes de terror. Fui apresentado ao dono do bar e descobri depois que ele era o responsável pelos quadros que eu não consegui ler e pelos mosaicos das mesas menores espalhadas pelo vão central. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Cláudio conheceu a esposa com treze anos de idade e diante da resistência imposta pelos pais da garota,<span> </span>fugiu com ela para a Capital Federal depois de quatro anos de namoro. Os dois ficaram um tempo<span> </span>na casa de uma amigo e depois montaram aquele bar na garagem da casa que eles compraram com muito esforço. Quando ouvi essa história percebi que não se precisa ter lido um Ato de Shakespeare pra se conhecer uma bela história de amor. Eles sustentavam o amor deles com a grana dos vícios alheios. Isso era lindo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>O anfitrião então nos ofereceu uma rodada de tequila por ser minha primeira vez lá. Agradecemos a gentileza virando as doses de tequila, batendo com os copos na mesa e brindando ao melhor bar do mundo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>As luzes diminuíram e toda luminosidade do lugar ficou responsável por um jogo de luzes que vinha do fundo do bar. Me virei e vi um casal de garotas se agarrando no sofá de canto. Eu já estava alto o bastante mas consegui ver no beijo delas todo o desejo que pode ter numa paixão que floresce regada à vodca. Cazuza deu lugar a Amy Winehouse e meus pensamentos deram lugar para as duas garotas loucas que se agarravam na <em>área VIP.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Uma delas estava recostada sobre o assento e esticava as longas pernas pelo móvel velho, deixando os pés passarem do braço do sofá. Ela era linda, tinha o cabelo preto, tão escuro que deixava claro que estava sobre efeito de tintura. O cabelo era curto, deixando à mostra sua nuca tatuada, e uma mecha da franja ondulada descia pelo lado esquerdo do rosto fino e alvo, cobrindo parte do olho e acabando pouco depois do queixo. De vez em quando ela arrastava a franja para atrás da orelha de 4 brincos, para não atrapalhar o beijo de sua parceira.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Usava uma camisa de alças finas e uma saia <em>jeans</em> curta o bastante pra fazer eu parar de beber por 5 minutos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>A outra estava em cima dela, se apoiando com o braço esquerdo no assento e se segurando com o braço direito no encosto. Tinha os cabelos ruivos em anéis que cobriam suas costas bem desenhadas. Usava uma boina preta e jaqueta jeans também preta, que parecia ter sido roubada de algum cara que se aventurou a te-la por uma noite. Também estava de saia, só que essa era mais curta que a da outra e dividida em quadradinhos vermelhos. Quando ela se inclinava ,para beijar a de cabelos curtos, eu podia ver suas grossas coxas brancas desaparecerem dentro daquela saia curta. Calçava coturnos pretos que brilhavam tanto ,ou mais, do que as de um general da Guarda Presidencial da República.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Ambas tinham as línguas perfuradas por percingis<em> </em>e eu podia vê-los brilhando e dançando dentro daquelas bocas carnudas e despretensiosas que se abriam se fechavam durante segundos deliciosos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>A ruiva de coturnos pretos abriu inesperadamente os olhos verdes e ,como se soubesse que eu as observava, olhou direto para mim. Os olhos dela pareciam descobrir os pecados mais desejados de qualquer alma que fosse. Eles eram grandes e sugestivos, cheios de vida e sensualidade. Como se conseguisse ler meus pensamentos, desceu a mão que a apoiava no encosto e agarrou a perna da outra que parecia não ter mais que dezesseis anos de idade. Levantei minha garrafa pra ela e sorri. Ela sorriu de volta e fechou os olhos. Lentamente seus finos dedos longos foram subindo pela pernas da menor que apertava a almofada do assento. Na mesma proporção em que sua mão subia por aquela fina perna dura, passava lentamente a deixar de acariciar a parte externa da coxa e ia para a parte interna, de encontro ao sexo da jovem que agora parecia estar em transe. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Dei uma golada na cerveja e terminei com a metade da garrafa, me recostei na cadeira e continuei assistindo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>A mão que usava um anel ,com uma pedra lilás, no dedo anelar sumiu entre as pernas da garota ,que parecia não se importar se tivesse outro espectador vendo aquilo tudo além de mim. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Olhei ao redor e todos bebiam e conversavam em voz alta para superar o som alto que agora era regido por Radiohead. Meu irmão beijava a namorada dele, uns três ou quatro caras ,de cavanhaques e jaquetas de couro, cantavam em voz alta uma canção sobre alguém que queria compartilhar seu sonho. Um casal sentado no fundo do bar conversava sobre qualquer futilidade do mundo do famosos. Do banheiro saia um cara ,de mais ou menos quarenta anos, se apoiando nas paredes e dizendo que aquela noite ele não iria à lugar algum antes de ver sua mãe. No balcão a esposa do Cláudio acendia um cigarro para uma mulher que minha cunhada classificou posteriormente como “candidata a rebordosa”. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Eu era o único que assistia aquele espetáculo. A garota de dezesseis tentava disfarçar suas expressões mordendo os lábios, mas ela era nova demais pra saber que é mais fácil mentir com a mão sobre a bíblia do que tentar resistir a um prazer como aquele, ainda mais mordendo lábios.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Mesmo com todo aquele barulho consegui ver sua respiração parar durante alguns segundos e involuntariamente um gemido sair de seus lábios trêmulos. A ruiva abriu novamente olhos e piscou pra mim enquanto saia de cima da menina e sentava cruzando as pernas. A de cabelos negros também se sentou e arrumou a saia tentando cobrir o máximo que podia das pernas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Me virei para meu irmão e a namorada dele e falei “preciso de mais uma cerveja”, meu irmão concordou e se levantou para pegar mais cervejas. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Continuei bebendo e pensando naquela louca de cabelos vermelhos e botas militares. De vez em quando eu me virava e olhava para ela sem deixar a de saia<span> </span><em>jeans</em> perceber, que eu queria beijar sua namorada. Quando eu virava a ruiva sorria e beijava a garota, cada vez de forma mais ardente, me deixando cada vez mais alucinado. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span><span> </span>A noite já se arrastava pelas onze horas e eu já tinha bebido muitas cervejas. Me virei para as duas que estavam no sofá e a ruiva já esperava por isso. Antes que a ruiva beijasse a garota, eu lhe indiquei a direção do banheiro com a cabeça. Terminei minha cerveja numa golada e entrei em um corredor que devia ter pouco mais que um metro e meio de largura e três de extensão, e acabava<span> </span>diante de duas portas que davam para os banheiros masculino e feminino. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Alguns minutos depois a ruiva veio desfilando pelo corredor. Eu estava encostado na parede e ela parou diante de mim.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><span><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">- Qual é seu nome? &#8211; perguntei.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>-E pra quê você quer saber meu nome? &#8211; Fiquei sem resposta. Ela tinha fugido às regras do jogo ou pior, ela estava jogando um jogo que eu não conhecia. Se eu desse a resposta errada teria que entrar no banheiro mijar e depois voltar pra minha mesa e terminar de encher a cara com um casal feliz de artistas plásticos. Resolvi ser honesto.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>- È mesmo, seu nome não faz a menor diferença. &#8211; Deu certo. Ela sorriu e me segurou pelo casaco. Me empurrou na parede e começou a me beijar. Ela fazia aquele <em>piercing</em> dançar agora dentro da minha boca e aquilo era maravilhoso. Segurei a cabeça dela com as duas mãos e fiz o ritmo das coisas acelerarem o bastante pra eu sentir o vento balançar meus cabelos. Desci as mãos para a cintura dela e puxei aquele corpo pequeno e quente pra perto de mim. As coisas estavam ficando boas o bastante pra eu descer as mãos mais um pouco, então desci. Mas ela largou meu casaco e puxou minhas mãos pra cintura de novo. Fiquei meio puto, mas continuei brincando com o <em>piercing</em>.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>De repente senti ela ser arrancada de mim e antes de abrir meus olhos senti uma mão pequena e suave acertar meu rosto. Não senti dor alguma, estava bêbado demais pra sentir qualquer tipo de dor. Abri os olhos e vi uma pequena garota ,que de perto parecia ter bem menos que dezesseis anos de idade, na minha frente.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>-Seu filho da puta!- Disse enquanto levantava a mão novamente.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Segurei o braço dela pelo pulso, olhei bem dentro daqueles pequenos olhos que estava rodeados de sobra preta e disse:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>-Desculpa meu bem, mas você sabe como é, lábios de bêbado não tem dono. &#8211; Fiz aquele sorriso cínico que nem todas as pessoas sabem fazer, mas que todas deveriam. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>A garota começou a chorar e se virou pra ruiva. Elas começaram a discutir e eu entrei no banheiro. Dei uma mijada e saí. As duas<span> </span>ainda estavam no meio do corredor discutindo. Pedi licença, passei entre as duas e voltei pra minha mesa. Meu irmão perguntou por que eu tinha demorado tanto e eu respondi que era por causa da fila.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Enquanto fui ao balcão pegar mais cerveja, vi as duas saindo brigando. Lamentei não ter beijado também a outra quando lhe disse que “lábios de bêbados não tinham dono”. Era uma boa frase pra se roubar um beijo. Pedi mais três cervejas e me sentei novamente com os artistas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>A noite continuou correndo nos ponteiros do relógio, e nós bebíamos sem nos preocupar com a noite e muito menos com os relógios.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span>Eu não sei a que horas e nem de que modo cheguei em casa, mas sei que acordei ruim o bastante pra me lembrar do tanto que bebi naquela noite em que eu conheci o melhor bar do mundo. </span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=37&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/29/ao-melhor-bar-do-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Poema</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/17/poema/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/17/poema/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 01:12:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/?p=33</guid>
		<description><![CDATA[ Oh vampiro! Por que queres meu sangue coalhado?! Meu sangue é feito de peçonha dor, sofrimento e vergonha. Podes morrer envenenado!   Se soubesses do terror da minha alma saberias, também, que és meu irmão. Procuremos abrigo na escuridão, pois meu espírito só a noite se acalma.   Também queria, eu, me esconder de todo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=33&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Oh vampiro! Por que queres meu sangue coalhado?!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Meu sangue é feito de peçonha</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">dor, sofrimento e vergonha.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Podes morrer envenenado!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"> </p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Se soubesses do terror da minha alma</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">saberias, também, que és meu irmão.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Procuremos abrigo na escuridão,</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">pois meu espírito só a noite se acalma.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"> </p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Também queria, eu, me esconder</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">de todo o belo que já pude ver</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">e ter o horrendo como amigo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"> </p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Se me visitares de novo te diria:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Se tens vontade de andar à luz do dia,</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">por favor troque de alma comigo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=33&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/17/poema/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Entre os dentes</title>
		<link>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/02/entre-os-dentes/</link>
		<comments>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/02/entre-os-dentes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 06:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunollima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas, contos e corações partidos.]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brunollima.wordpress.com/?p=19</guid>
		<description><![CDATA[A porta abriu. O apartamento clareou com a luz de fora que vinha do corredor. Entrou e, tateando no escuro, achou o interruptor. Era só mais um quarto de um hotel barato da cidade dos sonhos. O quarto 22 não tinha nada de diferente dos outros 30 aposentos daquela espelunca que já havia sido multada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=19&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A porta abriu. O apartamento clareou com a luz de fora que vinha do corredor.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">Entrou e, tateando no escuro, achou o interruptor. Era só mais um quarto de um hotel barato da cidade dos sonhos. O quarto 22 não tinha nada de diferente dos outros 30<strong> </strong><span>aposentos</span><strong> </strong>daquela espelunca que já havia sido multada e fechada várias vezes pela vigilância sanitária.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">O lugar era horrível. Tinha sido um complexo habitacional durante a ditadura e, <strong></strong>após a primeira interdição, se tornou,<strong> </strong>ao mesmo tempo, ponto de prostituição e <span>de</span><strong> </strong>venda de drogas. Depois da intervenção da polícia, o local ficou fechado por <span>três</span> meses e reabriu como albergue para os mendigos e desabrigados da cidade. Quando a ONG que cuidava dos indigentes <span>se</span><strong> </strong>esqueceu <span>do</span> albergue, um grande empresário,<strong> </strong>dono de uma rede de hotéis de luxo, comprou o prédio e abriu um grande <em>plaza,<strong> </strong></em>que recebia grandes personalidades da música e política internacional. Hoje, não passa de um hotel falido, que serve de refúgio para os amantes mais fracos,<strong> </strong>que logo se rendem aos beijos de seus parceiros.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">No quarto havia uma mesinha de centro que lembrava as de restaurantes japonês, com um cinzeiro prata e um bibelô de Buda. O tapete cor de ocre era macio e belo, espantosamente agradável comparado com todo<strong> </strong>o resto que compunha o cenário. As grandes cortinas beges escondiam janelas embaçadas que revelavam uma grande metrópole incrivelmente bela, iluminada pelos letreiros de <em>neons</em> e faróis de carros.<span id="more-19"></span></p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">No meio da sala se encontrava um sofá rasgado e,<strong> </strong>com manchas de sol e vômito. Nas extremidades do móvel<strong>,</strong> haviam duas poltronas também velhas e manchadas e,<strong> </strong>interposto ao sofá, um divã de veludo desbotado dava quase uma classe a decoração de mal gosto do lugar.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">Colocou a garrafa de <span>uísque</span> sobre a mesinha e foi até o banheiro. Tirou o paletó, mijou e voltou ao cômodo principal. Arrastou uma das poltronas para frente da janela, pegou a garrafa e se sentou diante de uma cidade calma e triste, que agora, parecia estar adormecida. Recostou a cabeça para trás, olhando direto para o teto que partia em uma rachadura que começava na quina do portal principal e se estendia até o lustre.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">Respirou fundo e fechou os olhos. <span>Manteve</span>-os fechados e pode ouvir os gemidos de uma pernoite que sucumbia aos apelos de seu amado.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">Procurou os cigarros no bolso da camisa azul- tristeza, que tinha ganhado no último <span>D</span>ia dos <span>P</span>ais<strong> </strong>a um ano. Lembrou-<span>se</span> de<strong> </strong>que o maço de cigarros estava no paletó. Levantou-se, foi novamente ao banheiro e p<strong>e</strong>gou os cigarros no bolso direito do paletó. Quando se virou, assustou-se com seu próprio reflexo no espelho em cima da pia. Parou e ficou olhando seu rosto. Olheira de três dias, barba de uma semana e tristeza de 46 anos. Começou a chorar. Não tinha mais nada que o prendesse ali, naquele mundo, naquela vida. Nem mesmo a <span>pequena</span><strong> </strong>que lhe o presenteara com a camisa que estava usando. Esboçou um sorriso amarelo e enferrujado pela nicotina. Voltou para a poltrona, colocou o cigarro entre os lábios e tateou o bolso procurando o esqueiro.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">-Merda – anunciou,<strong> </strong>enquanto voltava ao banheiro para pegar o acendedor. Voltou, sentou-se e bebeu um pouco do <span><span style="font-style:normal;">uísque</span></span> que, no momento, representava toda riqueza acumulada nos últimos dez anos de trabalho.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">Olhou em volta e pensou: “<span>E</span>sse quarto é tão vazio quanto minha vida!&#8221;. <span>Sorriu</span>, e acendeu o cigarro. Pensou em escrever uma carta, dedicar seu último credo, mas <span>se</span> lembrou<strong>,</strong> quase inst<span>antan</span>eamente, que não tinha parente ou amigos.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">Agora só restava um quarto de <span>uísque</span> e dois de noite. <span>Apagou o cigarro na sola do sapato, tinha esse costume desde seus 15 anos quando tragou o seu primeiro</span><strong>. </strong><span>Desabotoou</span> os dois primeiros botões da camisa e foi ao banheiro novamente. <span>D</span>espiu-<span>se</span> completamente e ficou em frente ao espelho grande e bem iluminado que havia dentro do box. Quase cinquenta anos, quase noventa quilos e quase feliz um dia. De dentro de um dos bolso do paletó, sacou um <span>M</span>agnum <strong>.</strong>45. Abriu a boca e colocou mais da metade do cano entre os dentes.</p>
<p style="margin-top:.49cm;margin-bottom:0;">“Que Deus me perdoe”, e,<strong> </strong>antes de apertar o gatilho, lembrou<strong>:</strong> ”<span>P</span>orra, eu sou ateu<strong>!</strong>”. Agora já se <span>marcava</span> no <span>ponteiro</span> quase meia-noite e meia e a cidade continuava a mesma, com suas luzes, histórias e hotéis que guardavam as últimas horas de algumas pessoas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brunollima.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brunollima.wordpress.com/19/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brunollima.wordpress.com&amp;blog=5201650&amp;post=19&amp;subd=brunollima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://brunollima.wordpress.com/2008/11/02/entre-os-dentes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3c356b8ce67b14c13491cdfde08d8afd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">brunollima</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
